Sempre que converso sobre o meu blog em um meio que não seja o próprio blog ou na internet eu tenho certa dificuldade de explicar, para alguém que nunca entrou nele, do que se trata. Penso em dizer “blog de moda”, afinal foi esse gosto que eu pretendia explorar quando criei ele, mas por alguma “estranha razão” é simplesmente impossível usar esse termo sem agregar ao conceito de blog de moda que já é pronto e conhecido: aquele blog sem credibilidade, cheio de publicidade, de roupas e looks que não só não parecem acrescentar nada ao mundo, como ainda funcionam para dar consciência, que aposto que todos já tinham, de não possuir algo.
Mas aí eu penso: não posso deixar que isso me impeça de ter um blog de moda, serei diferente, vou continuar focando na moda . Quando percebo que quase não há roupas por aqui… Peraí, cadê a moda?
…think…
…think…
…think…
…think…
Vejo que quase, por alguns momentos, eu, uma estudante de moda(sem arrogância, mas é inadmissível pra quem dedica a vida a estudar isso) me deixei levar por essa ideia de que moda=roupas. Como se a ideia de moda começasse e terminasse aí, em roupas. Ah, e roupas descoladas, por que parece que o discurso de que ‘moda é expressão’ ‘moda é paixão’ ‘é arte’, só funciona para roupas bacanas. Se não for, deixa de ser moda e é breguice.
Essa semana, as meninas (também estudantes de moda) estavam falando sobre esse blog que tirava onda, ou, na linguagem nacional(por que não se fala isso em Maceió, hehe) gongava outros blogs, ditos de moda. O nome do blog é bem sugestivo Shame on you blogueira. Tiração de onda(sim, inventei isso) à parte, foi a seção de Leituras Recomendadas que me chamou a atenção, alguns textos bem legais questionando o andamento dos blogs de moda no Brasil me fizeram ver diferente o que já não me descia muito bem. Em blogs famosos, blogueiras lindas com roupas impecáveis simplesmente não me convenciam, só não entendia exatamente o por quê. Esse texto, It Look do Dia, em particular, é muito legal (podem clicar, ela tem um poder de síntese muito melhor que o meu).
Acho que a grande vantagem dos blogs sob qualquer outro veículo de informação é a proximidade com a realidade, poder se identificar com quem escreve e de alguma forma tirar algo positivo disso. É o que eu penso quando estou fazendo o meu blog: o que posso acrescentar à internet que já não exista? Algo que só possa vir de mim e que alguém, em algum lugar, pode vir a ter em comum? Mas parece que esse pensamento é cada vez mais raro, pra não dizer inexistente, em muitos dos blogs consagrados e influentes. Mascarar o amor à expor o ego com “o desejo de dividir com minhas leitoras” não é certo, não é construtivo e não evolui a mídia e a comunicação da moda. Queria completar a frase dizendo que também não diminui. Mas diminui sim, se já culpamos à publicidade, às revistas de moda e ao padrão de beleza surreal que as meninas de hoje em dia tentam seguir muitos dos problemas que elas enfrentam, não estamos evoluindo em na-da com esses blogs.
Acho legal ler algo interessante na internet e poder entrar em contato com quem escreveu, acho legal que essa informalidade deixa bem mais fácil de disseminar a informação, acho legal inventar palavras e poder publicar mesmo assim, acho legal que alguns blogs sejam mais jornalismo do que muita revista fraca de moda. Mas muitos são muito mais revistas fracas de moda do que blog.
E como disse meu amigo Fernando, num comentário anterior, sem imagem que é para as palavras falarem por si só.
Eu perco algumas oportunidades, perco tempo, eu perco até o juízo, mas perder a inspiração não.













Uma caixinha que eu pintei







A inauguração foi essa semana, eu estive lá com a Manu do blog Lounge, que fez 2 posts super completos sobre o dia:
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